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18 de Março de 2019

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Quarta-feira, 13 de Março de 2019, 14h:39 - A | A

Coronel avisa que deseja falar "verdade real" e deve comprometer primos Taques

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O ex-chefe da Casa Militar de Mato Grosso, coronel da Polícia Militar Evandro Lesco, decidiu fornecer informações ainda desconhecidas pela Justiça no caso dos grampos ilegais, conhecido como “Grampolândia Pantaneira”. Além disso, a defesa do coronel ainda cita que ele irá contribuir com mais informações para fatos que ainda não foram esclarecidos no caso.

O pedido para ser novamente ouvido pela Justiça foi protocolado por ele nesta terça-feira (12). “Na hipótese em apreço, ainda que o interrogatório ordinário de Evandro Alexandre Ferraz Lesco tenha se realizado, e já apresentadas as alegações finais pelas partes, há ponderações que merecem maiores esclarecimentos, além de elucidações outrora não trazidas à lume”, argumenta a defesa.

Ao protocolar o pedido, os advogados de Lesco citaram a realização da audiência de julgamento, que estão agendadas para os dias 20 a 22, daqui a uma semana. Além disso, a defesa ainda alegou que não se trata de uma tentativa de protelar inutilmente o julgamento, mas de informações relevantes ao desfecho do caso. “O reinterrogatório, no presente caso, não se trata de ato procrastinatório e inútil, identificando-se razões relevantes a se permitir que Evandro Alexandre Ferraz Lesco seja submetido a nova oitiva, como forma de aproximação da verdade real, norte maior do processo penal, verdadeiro critério de justiça, a se evitar a instabilidade própria dos regimes antidemocráticos”, diz a petição.

A expectativa é que Lesco possa admitir sua participação no esquema, que grampeou ilegalmente adversários do ex-governador Pedro Taques (PSDB), ou que venha a firmar um acordo de colaboração premiada. "Sabido que o interrogatório se apresenta como meio de defesa pessoal realizado diretamente pelo acusado, o mesmo se diz do reinterrogatório, que não pode ser obstado quando impulsionado por motivações relevantes que influem diretamente no mérito da lide penal, sob pena de convalidação de constrangimento ilegal insanável e inequívoca afronta ao contraditório e à ampla defesa. Não se olvide que em relação a codenunciado foi oportunizada exegese similar", frisou ao lembrar a oitiva do cabo Gerson Correa Júnior.

Nos bastidores, já se comenta que Lesco tenha fechado acordo de colaboração premiada no âmbito da "Operação Esdras", que tramita no Tribunal de Justiça. Ele teria comprometido o ex-governador e também o ex-chefe da Casa Civil e advogado Paulo Taques.

MPE FAVORÁVEL

O pedido do coronel foi encaminhado pelo juiz Marcos Faleiros da Silva ao Ministério Público Estadual para emitir parecer sobre uma nova oitiva dele. O órgão, por meio do promotor Allan Sidney do Ó, se mostrou favorável ao depoimento do ex-secretário.  “O Ministério Público não se opõe ao deferimento do pleito, até porque, encontra-se respaldado de forma subsidiária no art. 196, do Código de Processo Penal, se tratando o interrogatório, de um ato processual não preclusivo”, diz o parecer.

Apesar de já ter prestado depoimento à Justiça, Lesco sempre negou sua participação no caso, admitindo apenas ter emprestado o montante de R$ 24 mil ao cabo da PM Gerson Corrêa Júnior, que usou o dinheiro para comprar os equipamentos usados para realizar as escutas.  Além disso, o coronel também afirmou que, apesar de Gerson ser o responsável pela compra do equipamento utilizado para as escutas, de nome “Sentinela”, seu nome foi incluído pela empresa fornecedora como o responsável pela compra.

Nas alegações finais, o MP pede que a Justiça condene Lesco pelo crime de realização de operação militar sem ordem superior, que pode resultar em 3 a 5 anos de reclusão, além de correr o risco de ser expulso da corporação.

Além de Evandro, também são réus na ação penal o cabo da PM Gerson Corrêa; o ex-comandante da PM, Zaqueu Barbosa; o coronel Ronelson Barros, ex-adjunto da Casa Militar; e o coronel Januário Batista. Além de Lesco, existem rumores de uma delação premiada de Zaqueu.

 
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