16 de Junho de 2019

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PROBLEMAS DE MEMÓRIA

“Eu não sei, não me lembro”, diz cuiabano acusado de matar enteado em Portugal

O adolescente desapareceu no dia 22 de fevereiro de 2016

Olhar Direto

Foto: Reprodução

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O portal teve acesso ao curto depoimento prestado pelo cuiabano Joaquim Lara Pinto, acusado de assassinar o próprio enteado, Rodrigo Lapa, 15 anos, que foi encontrado morto em 2016, a 100 metros de casa, em Portimão (Portugal). Em depoimento, prestado a dois policiais portugueses que vieram à capital mato-grossense e agentes da Polícia Federal, o suspeito limitou-se a dizer que não sabia nada do crime e nem se lembrava.

Consta do depoimento obtido pela reportagem que Joaquim Lara se apresentou acompanhado do seu advogado para prestar depoimento, apresentando-se em estado que seria impossível sua oitiva.
 
O cuiabano permaneceu sempre com a cabeça baixa e balbuciou algumas respostas a questionamentos prévios, que se resumiram a “não sei” e “eu não me lembro”. Logo depois, o advogado apresentou um atestado médico, justificando que Joaquim Lara não teria condições de prestar depoimento.
 
Joaquim Lara Pinto deixou Portugal no dia do desaparecimento de Rodrigo Lapa. Desde então, ele vive no bairro Tijucal, em Cuiabá. Recentemente, agentes da Polícia Judiciária (PJ) de Portugal vieram até a capital mato-grossense e encontraram o celular que era utilizado pelo adolescente.
 
Em meados de maio, o advogado Pedro Proença, que representa o pai de Rodrigo, Sérgio Lapa, disse ao Olhar Direto que luvas de látex, utilizadas no crime, foram encontradas, no dia do crime, junto ao corpo de Rodrigo Lapa. O material foi analisado pela perícia, que apontou a presença de DNA do cuiabano nelas.
 
“Para lá do horror inerente às fotografias tiradas da vítima no local do crime e na autópsia médico legal, só por si reveladores da tremenda brutalidade dos fatos, os advogados do pai da vítima foram confrontados com provas obtidas pela Polícia Judiciária (PJ) de Portimão que apontam sem qualquer margem de dúvida para o referido Joaquim Lara como o autor do homicídio”, disse o advogado.
 
Por conta disto, a defesa peticionou à Procuradora Geral da República uma petição pedindo intervenção urgente junto as autoridades judiciarias brasileiros para que promovam, de forma urgente, acusação contra Joaquim Lara pelo crime de homicídio qualificado. Além disto, requereu a nomeação de um representante especial para acompanhar o processo no país e informar a PGR de Portugal sobre o desenvolvimento do processo.
 
Em setembro de 2017, Joaquim se apresentou na Interpol. Porém, o advogado dele, Raphael Arantes, explicou ao Olhar Direto que ele permaneceu em silêncio durante todo o depoimento. “Foi apresentado um laudo de um médico psiquiatra, que aponta que meu cliente encontra-se impossibilitado de prestar depoimento”.
 
O laudo aponta que o cuiabano está “sem discernimento”. A defesa ainda ressalta que irá aguardar o andamento processual e lembra que desde o início, Joaquim se apresentou espontaneamente à Polícia Federal: “O único interesse é esclarecer a situação e demonstrar a sua inocência no caso”.
 
O caso
 
O cuiabano Joaquim de Lara Pinto é alvo de investigação da Polícia Judiciária (PJ) de Portugal que apura a morte do enteado dele, Rodrigo Lapa, 15 anos, que foi encontrado morto a 100 metros de casa, em Lagoa, após uma semana de desaparecimento. O mato-grossense já tinha as passagens para o Brasil compradas um mês antes da morte do adolescente. Segundo a imprensa local, ele é apontado como o principal suspeito.
 
De acordo com as informações da imprensa local, o adolescente desapareceu no dia 22 de fevereiro de 2016, mesmo dia em que Joaquim retornou ao Brasil. Rodrigo Lapa foi encontrado com as mãos amarradas e uma corda atada ao pescoço. Segundo a mãe do garoto, Célia Barreto, o cuiabano já havia marcado a viagem há um mês.
 
Exames complementares divulgados pela Polícia Judiciária de Portugal apontam que o jovem Rodrigo Lapa, de 15 anos, foi morto por estrangulamento mecânico, provavelmente pelo braço de seu padrasto, o cuiabano Joaquim Lara Pinto. Depois se contradizer em vários depoimentos e alegar que padrasto e enteado tinham uma boa relação, a mãe do adolescente, Célia Lapa, confessou ter presenciado a agressão sofrida por Rodrigo e ouvido seus gritos no dia do assassinato.
 
Após uma discussão, Joaquim teria se escondido e esperado o adolescente sair do quarto para agarrá-lo pelo pescoço e arrastá-lo para a cozinha da casa onde viviam, mantendo-o imobilizado. De acordo com a imprensa portuguesa, a mulher alegou não ter contado isto à polícia antes por medo de que Joaquim fizesse alguma coisa contra ela ou contra a filha que tem com ele, que na época tinha seis meses. Mesmo assim, a mulher teria mantido contato por telefone com o companheiro após o crime.

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