19 de Maio de 2019

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Terça-feira, 07 de Maio de 2019, 15h:18 - A | A

REFUGIADOS

Mais de 600 venezuelanos foram recebidos em Cuiabá

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Fugindo da crise política, econômica e humanitária instalada na Venezuela, refugiados chegam à Cuiabá com esperança de uma vida melhor. Em 2018, de julho até dezembro, a Capital recebeu 627 migrantes venezuelanos, sendo 179 encaminhados pelo programa de interiorização do Governo Federal e entidades parceiras. 

De acordo com a coordenadora do Centro Pastoral do Migrante em Cuiabá, Eliana Vitaliano, a grande maioria são pessoas que chegam sem encaminhamento. “Alguns ouviram falar que aqui em Mato Grosso tem mais trabalho, outros têm familiares que já estão residindo em Cuiabá e assim por diante”. 

No local, o estrangeiro pode ficar por 45 dias, podendo ser estendido conforme a necessidade de cada um. Nesse período as pessoas alojadas recebem alimentação, lugar para dormir, além de roupas, sapatos, orientações e ajuda com documentação, além de, na maioria das vezes, conseguirem também um encaminhamento para um emprego. 

A coordenadora ressalta que na chegada deles é perceptível a grande expectativa de conseguirem trabalho rapidamente para poder enviar remessa para os que ficaram no país vizinho ao Norte do Brasil. “Há uma grande preocupação com os que ficaram. Muitos estão doentes e sem medicamento. Outro fator que preocupa é a fome que assola parte da população, já que a crise tem provocado dificuldade de acesso a produtos básicos, inclusive a alimentos”. 

Ainda que seja possível encontrar alguns produtos, por causa da inflação, os altos preços e a perda do poder aquisitivo dos venezuelanos fazem com que muitos tenham dificuldade para compra-los. 

O casal Rosbelli Rojas, 45 anos, e Victor Lugo, 57, juntos há 20 anos, chegou a Cuiabá há cerca de um ano, junto com o primeiro grupo vindo de Roraima. O filho mais velho mora em Blumenau (SC), há 5 anos, e outros dois estão na Costa Rica, com parentes. Em seu país, Rosbelli se formou em Administração e entrou para as Forças Armadas, o marido era motorista.

Já estabelecidos em uma nova casa, em Cuiabá, ela passou a dar palestras e o marido, atualmente, faz serviços gerais em uma escola particular. Mas o casal deixou para trás uma vida estável e os pais, avós, irmãos e demais parentes. “O que é mais difícil é trocar uma vida estabelecida e as conquistas de uma vida. Nosso povo não tem cultura migratória. Alguns saem apenas quando têm proposta de emprego em outro lugar, ou para estudar, fazer intercâmbio. Em nosso país tínhamos escola, emprego, vida estável, portanto sem motivos para querer partir", lamenta. 

Rosbelli lembra que sua família é privilegiada por ter uma condição financeira um pouco melhor e ainda consegue comprar alimento e ter o mínimo de condições dignas para viver. “O mercado de insumos está desabastecido e os produtos podem ser comprados no mercado paralelo, mas o custo é alto”.

Ela torce para que os conterrâneos consigam se estabelecer, conseguir emprego e ter uma vida digna. A esperança dos venezuelanos fora do país, segundo ela, é que a situação melhore para que possam voltar.

O processo de interiorização dos imigrantes é organizado pelo governo federal em uma tentativa de lidar com o intenso fluxo de venezuelanos que chegam no Brasil. Estima-se que mais de 5 mil venezuelanos já foram integrados à sociedade brasileira.

Quase três milhões de venezuelanos já fugiram do país desde 2015, e acredita-se que, até o fim de 2019, esse número possa alcançar a quantidade de 5 milhões de pessoas. 

Doações 

O Centro Pastoral acolhe os migrantes para abrigamento, mas também recebe doações para os estrangeiros que procuram móveis e utensílios, como fogão, geladeira, camas, colchões, entre outros. “Toda contribuição é bem vinda”, destaca Eliana.

A casa está localizada na Avenida Gonçalo Antunes, n. 2785 – Bairro Carumbé. Telefone: (65) 3641-1451 e 99958-3343.

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